
E ai? Acordou se sentindo um palhaço? Pois prepare-se, porque o governo prepara a volta da CPMF, aquele imposto que caía sobre as movimentações financeiras. No fim do ano passado o governo dizia que iria perder muito com o fim do "imposto dos cheques" e que isso iria fazer muito mal a vários projetos, inclusive o PAC. Quando a CPMF foi extinta vários impostos foram reajustados para compensar o governo.
Hoje abro o jornal A Tarde e leio uma reportagem onde o Lula joga para a base aliada no Congresso o ônus político da criação da nova CPMF e que a alíquota não será mais de 0,08%, mas de 0,1% de qualquer movimentação financeira.
Em primeiro lugar o nosso queridíssimo presidente não quer assumir a culpa por uma coisa tão absurda quanto este novo imposto, jogando a culpa nos deputados (tudo bem, eles já são queimados mesmo!), depois ele vai colocar um novo imposto sem mudar uma linha do que foi reajustado quando a CPMF foi extinta.
A desculpa é a mesma de antes, o dinheiro vai todo para a saúde. Isso já foi tentado e não deu certo. Porque vai sair certo agora? Porque Lula é legal? Mas os governistas sabem que ninguém quer a CPMF de volta, por isso vão chamar o novo imposto de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). Eu exijo que este nome tenha um "c" de compulsória ou um "o" de obrigatória. Porque contribuição é para quem quer contribuir e eu não quero. Outro detalhe maravilhoso é que esta "contribuição" é permanente. O barraco veio pra ficar!
"Vamos aumentar o imposto sobre bebidas e cigarros, mas isso não é suficiente. Temos que criar uma fonte de financiamento", afirmou o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves. Afinal não basta aumentar impostos de um dos ramos da indústria que mais lucra neste país (quantas pessoas você conhece que não bebem?) porque isso não é suficiente. O povo tem que pagar mais impostos quando compra a cerveja e quando paga no cartão de débito.
O governo pretende passar este absurdo por meio de Projeto de Lei Complementar, aproveitando a proposta de regulamentação da Emenda 29, e não por Emenda Constitucional que é mais difícil de ser aprovada. Mas se nada der certo, a base governista já se espera colocar a nova CPMF na reforma tributária, proposta tão sem noção que não tem apoio nem de Antônio Palocci.
Pelo menos este absurdo não é unanimidade nem entre os integrantes do governo. Já na oposição o líder do PSDB, José Aníbla, disse que é contra a proposta e afirma que a oposição não está disposta a ceder nada. Já o coordenador da Frente Parlamentar de Saúde lembra que "há excesso de arrecadação. Nos primeiros quatro meses foram R$ 23 bilhões a mais". Realmente não acredito que o problema no governo Lula seja arrumar dinheiro, mas sim gerenciar bem o que se arrecada.
O presidente lava as mãos, como eu já esperava, dizendo que desde a extinção da CPMF a criação que qualquer novo tributo é "um problema do Congresso". Lula ainda afirma que só é possível aumentar as despesas com saúde se aumentar a receita. Em momento nenhum passa pela cabeça deste cidadão que talvez melhorar a gerência dos recursos fizesse bem a saúde no nosso país.
Em um evento quando perguntado quanto o governo precisava arrecadar para resolver os problemas da saúde no país, Lula fez exatamente o que eu esperava, deu as costas e foi embora. É incrível que ele queira mais dinheiro, faça pressão dizendo que só se pensa na saúde com novos impostos, jogue a culpa no congresso e ainda saia de bonzinho. Para mim se essa nova CPMF passar não será culpa apenas dos parlamentares, mas sim do presidente Luís Inácio "Lula" da Silva.
Só para fechar com chave de ouro fique sabendo que segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, Gilberto Luiz do Amaral, o brasileiro trabalha em média 148 dias por ano somente para pagar impostos. Isso significa que somente na próxima terça (27 de maio) o brasileiro poderá começar a trabalhar para sustentar a si mesmo. Ele ainda afirma que o efeito cascata dos impostos no Brasil afetam todos o produtos e cita o exemplo da gasolina, que tem uma carga nominal de 53%, mas efetivamente chega a 113%.