Metade da Inglaterra quase foi pelos ares por causa de bombas atômicas

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

nuclear_bomb_test Estava lendo a revista Mundo Estranho deste mês e na reportagem de capa, que enumera 25 segredos que nunca contaram para você, um me chamou muito a atenção. Depois de lê-lo eu fiquei me questionando sobre a maneira como governos não se importam com a população que deveriam proteger.

 

Segundo a revista durante a Guerra Fria, os EUA mantinham bombardeiros de médio alcance próximo a alvos na antiga URSS. Era mais uma daquelas situações que se tornaram comuns naquele período: "não se mete no meu pedaço que um te detono como fiz com o Japão." Do outro lado as ameaças eram no mesmo tom: "vou colocar estas arminhas nucleares em Cuba para detonar seu país rapidinho." Um jogo político perigoso e digno de crianças no jardim de infância. Um dos maiores medos do mundo foi imaginado no filme O Dia Seguinte, sobre o qual eu falei em um post aqui do Pipoca (clique aqui para ler).

 

Em uma prova rara de inteligência (estou sendo sarcástico) o governo americano mantêm 3 bombas atômicas Mark 6, com poder 10 vezes maior que o de Hiroshima cada uma, em um paiol ao lado da pista de pouso. Será que ninguém levou em consideração que alguma coisa podia bater lá?

 

Dito e feito, no dia 27 de julho de 1956, durante um treino de pouso e decolagem, um B-47 se chocou contra o bendito paiol. Os tripulantes morreram na explosão e os bombeiros (raça corajosa!) correram para o local na tentativa de apagar o fogo antes que a alta temperatura detonasse as bombas. Quatro caminhões foram usados e no fim eles conseguiram evitar o desastre a tempo.

 

Em 1979 os documentos sobre o acidente se tornaram públicos e o comandante da base considerou um milagre as bombas não terem sido detonadas. Especialistas ainda fizeram uma estimativa do tamanho da destruição, que atingiria todo o leste da Inglaterra (incluindo Londres).

 

Imagino que a detonação destas bombas por acidente desse início a tão temida Terceira Guerra Mundial, pois não haveria como saber que foi um acidente e até se esclarecer que focinho de porco não é tomada as bombas nucleares de cada lado já teriam sido lançadas.

 

Outra ótima curiosidade contida na revista sobre a Guerra Fria é que em 1961 o governo dos EUA desenvolveu um complexo sistema de segurança para o lançamento de mísseis nucleares, com o objetivo de evitar o lançamento acidental de alguma ogiva. Existiam vários procedimentos e por fim uma senha numérica deveria ser digitada. A senha era 00000000. A justificativa era que assim ninguém esquecia a senha !?!?!?! Só em 1977 alguém com um pouco de inteligência colocou uma senha de verdade.

 

Esta matéria da Mundo Estranho é realmente interessante, vale a pena a leitura.

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