Sexta-feira fui assistir O Cavaleiro das Trevas, continuação de Batman Begins. Eu estava extremamente ansioso pela estréia, vi os trailers, acompanhei a extensa campanha de marketing viral (uma das melhores já feitas) e assisti os primeiros 5 minutos que estavam disponíveis na rede.
O filme é muito bom, distante do que tenho como adaptação de quadrinhos. Hellboy e Homem de Ferro são ótimos exemplos do que espero de um bom filme baseado em super-heróis. Este filme é muito próximo de bons filmes policiais, como o clássico moderno Fogo Contra Fogo. The Dark Knight é adulto, pesado e apesar de ter boas cenas de ação não sei se agradará muito os mais jovens. O filme mostra muita investigação, tribunais e pessoas como elas realmente são. Se você quer ver um bom filme pode apostar neste.
Dito isso chegamos ao ponto que todos discutem, Heath Ledger e sua performance como o vilão Coringa. A atuação dele está em um nível não alcançado em papéis anteriores. Acompanho a carreira dele desde um de seus primeiros filmes, 10 Coisas Que Eu Odeio em Você e neste tempo ele só parecia ser mais um destes jovens atores que são uma promessa mas ainda precisam de uma papel de verdade. Ledger já trabalhou com diretores consagrados e foi até mesmo indicado a um Oscar pela atuação em O Segredo de Brockeback Mountain. Mas nem mesmo neste papel ele está tão fora da sua própria pessoa como no filme do Batman.
O Coringa de Cavaleiro das Trevas é de longe o vilão mais perigoso que eu vi em um filme de super heróis. Ele mata, mutila e tortura sem demosntrar nenhum fio de remorso (a mágica feita por ele é ótima), além de querer passar uma mensagem. Ele é, como em certo ponto se autodenomina, um agente do caos. As histórias que ele conta sempre servem para a situação onde se encontra e este também torna o personagem mais misterioso. Ledger conseguiu passar tudo isso em detalhes que podem ser percebidos em sua atuação, merecendo nossa adimiração.
Mas, pelo menos para mim, este perigoso e maravilhoso vilão não É o Coringa. Na minha opinião este personagem é louco, mas de outra maneira. O Coringa acha tudo muito engraçado, ele têm um senso de humor que só pode ser entendido por ele mesmo. O Coringa não ri porque seria esperado ou não faz uma piada para ser cruel ou sombrio, ele faz isso para saciar seu bizarro senso do que é engraçado.
Nisso o Coringa apresentado por Jack Nicholson no filme de Tim Burton foi muito mais acertado. Uma cena que para mim ficou marcada como a assinatura do personagem foi quando ele eletrocuta um gangster (clique aqui para ver). No fim da cena, quando todo mundo vai embora o Coringa fica e faz uma piada para o morto, porque para ele tudo isso é muito engraçado. Já o Coringa de Ledger é mais aproximado de um terrorista, pois para ele tudo isso faz parte de um plano onde uma mensagem está sendo passada.
Tanto o filme de 1989, quanto o que estreou sexta-feira são grandes histórias, muito bem realizadas, mas eles são filmes diferentes, com temáticas diferentes e que precisam ser analisados em seus territórios.
Outra coisa que me deixou meio triste com isso foi que o filme ficou caracterizado como o filme de Heath Ledger, mas todo o elenco está fenomenal. Christian Bale está ótimo, pois você pode sentir o peso de ser o Batman nas costas dele. Wayne quer parar, ele quer deixar a capa para trás. Se você notar ele está mais magro do que no primeiro filme e sempre com uma expressão um pouco deprimida. Acredito que ele como Batman tenha sido menos impactante do que outras atuações no filme porque ele está no papel pela segunda vez. Aaron Eckhart está ótimo como Harvey Dent, pois antes mesmo da transformação você identifica como o Duas Caras vai surgir, não é apenas o fato de ter perdido o rosto.
Confira o filme nos cinemas, assista novamente o filme de Tim Burton e tire suas próprias conclusões, pois para mim O Cavaleiro das Trevas é um dos grandes filmes lançados este ano.